Rose Zanardo, figura histórica do partido, foi vítima de câncer
Morreu hoje a grande companheira Rose Zanardo na cidade de Mandaguaçu, onde residia com a família.
Rose Zanardo integrava a Executiva Estadual do PT-PR. Ela teve longa trajetória no partido e de intensa participação. Rose sempre foi uma das militantes mais orgânicas que já passaram pela direção partidária. Comprometida ideologicamente e com dedicação exclusiva à construção partidária, Rose se empenhou, ainda, na elaboração do projeto de transformação que o Brasil.
Sempre teve como objetivo principal a luta contra o preconceito, tão presentes em nossa sociedade.
Com certeza, Rose Zanardo já está fazendo falta no cotidiano da tão difícil construção política do Partido dos Trabalhadores.
No período em que estive na Executiva estadual do PT-PR, Rose foi parceira, colaboradora e dedicada. Uma pessoa que nunca mediu esforços e disposição nas tantas tarefas que assumiu.
A Rose nosso adeus! A presença de Rose na luta por uma sociedade melhor vai sempre permanecer.
“A política vem se tornando negócio de família no Paraná”
Gazeta do Povo por Rogerio Waldrigues Galindo
Entrevista
Ricardo Costa de Oliveira é autor de um dos mais comentados livros sobre política no Paraná. O livro O Silêncio dos Vencedores, de 2001, mostra que a cena política local é e sempre foi dominada por algumas poucas famílias que se perpetuam no poder. Agora, o professor, que ensina ciência política na Universidade Federal do Paraná, prepara um novo volume, que deve causar igual polêmica.
A obra A Teia do Nepotismo deve ser lançada no primeiro semestre de 2011. E faz uma longa relação da contratação de parentes por parte dos políticos paranaenses. Segundo o professor, o Paraná é um estado onde a prática mais prospera. Casos recentes confirmam a tese: Roberto Requião (PMDB), no governo, nomeou três irmãos para cargos públicos, além da própria esposa; Beto Richa mesmo antes de sua posse já havia nomeado o irmão e a esposa para o futuro governo; e o prefeito Luciano Ducci, além de acomodar a primeira-dama, nomeou dois parentes do aliado Beto Richa.
Em entrevista à Gazeta do Povo, o professor relata por que o nepotismo é tão exacerbado no Paraná. Confira:
O nepotismo é mais comum no Paraná do que em outros estados?
Nepotismo é a relação entre parentesco e Estado. O fenômeno do nepotismo é um sintoma da presença de instituições políticas frágeis. O nepotismo está sempre associado com desigualdades sociais, formas de patronagem e de clientelismo político. O próprio Estado é controlado por interesses privados e não há controles públicos entre os poderes porque o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e órgãos como os tribunais de contas e o Ministério Público são formados por grandes redes de favores e de parentesco. Os partidos políticos desaparecem como instituições e a política se resume aos negócios de famílias com seus interesses e dependências pessoais. Estados como o Paraná e os estados nordestinos têm longas histórias políticas de oligarquias familiares atuantes nas últimas décadas.
A prática vem diminuindo?
O nepotismo vem aumentando. Por incrível que pareça o regime militar, com Ney Braga, renovou mais pela direita a elite política paranaense do que 30 anos de redemocratização. Os militares foram os únicos que enfrentaram uma liderança como o falecido Aníbal Khury, quando quase todos os grupos políticos se associaram e se tornaram cúmplices de seu estilo de gestão patrimonial na Assembleia Legislativa nos últimos 30 anos. A grande novidade é que hoje o Paraná já há uma imprensa moderna, plural e de qualidade.
Quem são os campeões de nepotismo no Paraná?
Os campeões de nepotismo todos fizeram estágio na Assembleia Legislativa. O núcleo do poder Legislativo (e por consequência o Tribunal de Contas) estrutura relações políticas arcaicas e clientelísticas na política paranaense. Se o governador Roberto Requião de Mello e Silva caracterizava o nepotismo militante, agora podemos afirmar que o nepotismo está no próprio centro do poder com Beto Richa, ele mesmo um produto do nepotismo paranaense dos últimos 30 anos. Claro que eles começaram as suas carreiras políticas na Assembleia como deputados, mas ambos representam famílias políticas extensas. Há cerca de 30 famílias políticas controlando o poder político contemporâneo no Paraná e se reproduzindo politicamente no século 21. Eu as analiso no meu próximo livro, A Teia do Nepotismo.
A súmula antinepotismo do STF reduz os casos?
A súmula do STF só promoveu o nepotismo para o primeiro escalão. Antes ainda havia alguma resistência. Agora o nepotismo está em supersecretarias como no caso de José Richa Filho. Toda a infraestrutura e as obras públicas, com as relações com as empreiteiras e fornecedores, fazem parte dos negócios da família governamental. As conexões das políticas sociais e cargos familiares na prefeitura também formam o quadro do nepotismo para o início do governo Richa, com parentes no secretariado estadual e municipal ao mesmo tempo.
O que mais poderia ser feito para combater o nepotismo?
O nepotismo, para existir e triunfar, deve cooptar os outros poderes. Aí nós entendemos os grandes aumentos salariais no fim do ano para os deputados, os secretários, os cargos comissionados, os membros do Poder Judiciário e do Ministério Público. A maior vergonha pública no Brasil é a diferença entre o salário de um deputado e de um desembargador em relação ao de um professor do ensino fundamental ou de um policial.
Existe algum indício de que os eleitores se importam com a prática?
O nepotismo existe no meio de grandes carências pessoais, no meio de um eleitorado pobre e sem cidadania, dominado pelo clientelismo, com redes e estruturas de dependências pessoais. Um município pobre só ganha recursos se votar nos poderosos de plantão da Assembleia. Uma administração moderna, transparente, com concursos públicos e sistemas racionais de meritocracia na burocracia e no orçamento do Estado é fundamental. O que diminuiria os privilégios para os políticos profissionais e comissionados, limitaria o fenômeno do clientelismo e do nepotismo. Somente a modernização, o planejamento de nossas instituições políticas e a criação de modernos partidos políticos poderá desenvolver a nossa cidadania e democracia frente a essas questões. Eleitor educado e organizado é eleitor mais consciente.
Qual a principal conclusão a que o senhor chegou durante a pesquisa para seu novo livro?
A conclusão é que temos praticamente uma “casta” hereditária de políticos profissionais. A política vem se tornando negócio de família e negócio de ricos. As eleições são caríssimas, e muitos só querem o extrativismo estatal; isto é, só querem ganhar muito, ganhar mais e rápido dentro do aparelho estatal.
Os políticos fazem um discurso hipócrita quando combatem o nepotismo alheio?
Lamentavelmente o nepotismo militante tornou-se uma marca central da política paranaense desde a redemocratização dos anos 80. Os políticos profissionais, que nos prometeram mudanças, tornaram-se as novas famílias governamentais e constituíram grandes redes políticas de nepotismo, com consequências muito problemáticas para a modernização e transparência no Paraná. A Assembleia Legislativa, a casa da democracia no Poder Legislativo, é a cara da política paranaense sob o signo do nepotismo e das irregularidades. Nas eleições de 2010 a grande maioria dos novos parlamentares integra a bancada de filhos e parentes de políticos profissionais, que é a maior da Assembleia.
É comum a prática de nepotismo cruzado?
O nepotismo cruzado existe também do ponto de vista institucional. Um poder beneficia o outro e ambos têm uma relação de cumplicidade entre si. O recente aumento de salários e de vantagens para os deputados (e para o poder Legislativo como um todo) teve uma contrapartida nos aumentos generalizados para o poder Judiciário, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e até mesmo as custas judiciais e os cartórios foram beneficiados. O que mostra que todos os poderes ganharam muitas vantagens e benefícios repartidos somente entre eles, quando os mesmos poderes e instituições deveriam mutuamente se fiscalizar e se controlar, o que não acontece também em função de complexas redes de interesse e de parentesco, muitas atravessando os vários poderes e instituições.
Qual poder pratica mais o nepotismo? Como ele ocorre no Judiciário?
O Judiciário recebeu muitas críticas sobre o seu tradicional nepotismo e é um poder que teve de se modernizar em termos de contratações de parentes. O fato é que muitas carreiras jurídicas também são determinadas por parentesco, como mostra uma recente tese de doutorado sobre o Judiciário brasileiro : A Nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil. A magistratura paranaense também é caracterizada por determinadas relações de poder pautadas no parentesco, como pesquisas atuais sobre o judiciário regional revelarão. Muitas vezes os mesmos sobrenomes aparecem nos diferentes poderes, mas a modernização, a transparência, a meritocracia e a democracia triunfarão.
Ricardo Costa de Oliveira, cientista político e professor da UFPR
Lula usa tom de despedida e exalta Dilma em último pronunciamento
Presidente carrega na emoção e diz que país tem encontro marcado com o sucesso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta quinta-feira (23) seu último pronunciamento à nação e, além de apresentar um balanço de sua gestão, pedirá à população que apoie a sucessora Dilma Rousseff.
Lula, que deixa o cargo em 1º de janeiro após dois mandatos, exaltará que sua origem popular o ajudou a fazer um governo que atendesse a todas as camadas da população.
Lula discursará em rede nacional de rádio e TV e, segundo relato de um assessor à Reuters, ele dirá que provou ser possível governar para todos.
- Mostramos que é possível e necessário governar para todos, e quando isso acontece é um ganho para o país.
Numa aparição por volta das 20h, com duração de pouco mais de dez minutos, o presidente fará um depoimento carregado de emoção, e pedirá aos brasileiros que não o questionem sobre seu futuro, mas se questionem sobre o futuro do país.
Lula dirá à nação que sua trajetória de vida - um operário pobre, com pouco estudo, que chegou à Presidência da República - serve para que todos possam alimentar seus sonhos e se superar. O pronunciamento foi gravado na segunda-feira (20), pouco antes de ele se reunir com a comissão executiva do PT.
O presidente apresentará tabelas e estatísticas para falar dos avanços do governo, listará obras como a transposição do Rio São Francisco, as futuras hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas no leito do Rio Madeira, e voltará a dizer que o Brasil conquistou seu "passaporte para o futuro" com a descoberta do pré-sal.
Lula vai reafirmar que seu governo não se preocupou apenas com a elite e que agiu pensando em todos os brasileiros.
Apenas Dilma será citada nominalmente pelo presidente, e ele dirá que a sucessora tem "competência" para governar o Brasil e é a pessoa "que mais do que ninguém conhece o que foi feito no Brasil".
- Agora, estamos provando ao mundo e a nós mesmos que o Brasil tem um encontro marcado com o sucesso.
Tenho escrito muito sobre os avanços obtidos no Brasil, a partir do momento em que o presidente Lula assumiu o Planalto. Foram muitos avanços em quase todos os setores. Vejo que o Poder Executivo evoluiu politicamente e consegue olhar o país como um todo, com mais transparência e atuando no fortalecimento da democracia e valorização das pessoas.
No Judiciário e no Legislativo, não houve a mesma evolução ocorrida no Executivo. O Judiciário é o Poder mais distante da população e com uma estrutura elitista, invisível, cara e incompreensível pelo cidadão comum. A impressão que tenho é que não existe sequer vontade que o cidadão comum entenda.
Cadeia continua sendo para pobres e negros. Para os ricos, há o habeas corpus para cumprir pena em liberdade. Crimes de corrupção continuam sem apuração, e raríssimas foram as punições, além da indústria de liminares que impedem a continuidade dos processos.
O Poder Legislativo não evoluiu e está virando um gargalo importante para o bom funcionamento da democracia. Como é o Poder que fica mais exposto perante a mídia e a população, o Legislativo está sempre sob avaliação mais rigorosa frente à sociedade. Por esse motivo, deputados e senadores aprenderam a enfrentar as desconfianças, desafiando as críticas e criando situações que emperram a efetiva democratização da Casa, mantendo o comportamento elitista.
Para que o Brasil seja realmente um país desenvolvido, é preciso enfrentar os obstáculos colocados à plenitude democrática, de forma que as instituições sejam, de fato, mais transparentes e voltadas à sociedade. Reformas são urgentes e necessárias para continuar crescendo.
Estamos encerrando mais um ano de muita luta, chateações e vitórias e, sem dúvida nenhuma, a eleição de Dilma Roussef é mais um marco importante na história política deste país.Como diria o nosso chefe maior, “nunca antes na história deste país” o povo pode experimentar um período tão bom como o que estamos passando. Economia estável com crescimento, investimento recorde no social. E tudo isso com democracia.
O período Lula foi de conquistas não só da economia como também da inclusão social por meio do Bolsa Família. Houve mais investimentos na educação, aumento extraordinário de jovens que ingressaram na Universidade, recursos na agricultura familiar, política cultural e transformação do nordeste brasileiro. A infraestrutura também foi priorizada no governo Lula, além da redução do desmatamento e muita preocupação com as questões ambientais. Isso significa dizer que se fizermos uma lista de coisas boas que estão ocorrendo, essa lista será enorme.
O mais importante de tudo é que o Brasil ficou um ‘cadinho’ mais justo, se é que dá para falar desta forma. Além de reduzir a pobreza e a miséria, pela primeira vez o governo brasileiro deu tratamento especial a questões como o preconceito. Isso ocorreu por meio de diversas políticas afirmativas em relação a mulheres, raça e sexualidade. O PNDH 3 foi importante para debater e encaminhar assuntos relevantes que impedem o avanço da nossa democracia para que ela alcance patamar mais avançado.
Não menos importante que os pontos colocados acima, o Brasil do governo Lula está combatendo a corrupção. Apesar de todas as notícias que indicam que o país está mais corrupto, pelo fato da grande exposição política na mídia, a verdade é que isto surge porque os órgãos de controle estão funcionando de forma eficaz. Atualmente, a corrupção não está indo para debaixo do tapete como em outros tempos. Ainda não temos um sistema que pune de fato quem pratica a corrupção, mas estamos dando os primeiros passos ao expor os casos para apuração mais rigorosa e punição. Acho que o judiciário está atrasado nesta questão.
2011 e governo Dilma
Acredito e espero que o governo Dilma, além de continuar o grande projeto de Lula, vai dar um salto de qualidade. Investir em educação, buscando a qualidade de que o país precisa, não só para o mercado de trabalho, mas para a vida e para o fortalecimento da democracia, é um enorme desafio.
Não menos importante é enfrentar o problema da Segurança. Para isso, é necessário muito investimento público e político, envolvendo o conjunto da sociedade nessa empreitada. Não sei se é com ações que estão acontecendo no Rio de Janeiro, mas é preciso muitas ações. O Brasil precisa vencer esta guerra contra a violência.
É acreditar em mais um grande salto do Brasil rumo ao desenvolvimento. Um país livre, democrático e, quem sabe, sem preconceitos. Aí já é sonhar demais! Bem, sonhar com isso é botar fé nas pessoas. E aí, nunca é demais!
Fantasmas se materializaram a cada momento na Assembleia
Quando a gente imagina que as coisas na Assembleia Legislativa do Paraná vão se acalmar, aparece mais um fantasma na Casa. Depois de todo o escândalo já noticiado, com o desvio de mais de 100 milhões de reais e que mantém na cadeia Bibinho e seus colaboradores diretos, nove pessoas demitidas pelo HSBC, surge novo escândalo envolvendo agora Eron Abud, o diretor que ficou no lugar de Bibinho. Coincidência ou não, Abud teria sido indicado pelo presidente da Casa Nelson Justus.
O escândalo do momento é que Abud recebeu salário em nome de outra funcionária da Assembleia.
A gravidade da nova denúncia é que a transação tem a conivência ou autorização do Banco Itaú.
Além de colocar acusados de corrupção nas secretarias da futura administração, a base de apoio de Beto na Alep conta com a presença de diversos deputados acusados de serem coniventes com o maior escândalo da história da Casa.
O povo merece rigorosa apuração. Apuração eficiente que ponha fim a estes escândalos para que a casa possa respirar um pouco melhor para ser possível uma política mais decente no Estado.
O Ato Institucional número 5, o famoso AI-5, era decretado. Foi em 13 de dezembro de 1968. Eram tempos difíceis, amargos. A ditadura veio junto com a barbárie.
Mas passou. Hoje vivemos num país democrático. E pra não dizer que não falei de flores, segue abaixo retrospecto rápido da época, na voz de Vandré.
Pouquíssimas manifestações sobre os 62 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, neste dia 10 de dezembro. Considero muito preocupante o fato de o tema não estar na maioria dos meios de comunicação. Mais interessante e não menos preocupante é que não houve nenhuma manifestações de entidades da sociedade civil, em especial aquelas que integram o campo popular.
É inquietante porque, neste momento, estou assistindo alguns programas de TV e, graças a Deus, tenho um controle remoto que torna possível ver quase tudo que passa.As notícias são quase todos os relatos de desrespeito aos princípios fundamentais da vida. Agora, as notícias giram em torno da libertação da iraniana Sakineh, condenada à morte por apedrejamento; a ocupação dos morros no Rio de Janeiro, a morte do prefeito de Jandira; o julgamento das agressões contra homossexuais por intolerância, em São Paulo, a morte da advogada em Guarulhos pelo seu “namorado”, e a perseguição ao fundador do Wikileakis. Enfim, esses assuntos, assombrados por preconceitos e pela intransigência do ser humano, são frequentes nos meios de comunicação.
A intolerância ganhou força também na campanha eleitoral deste ano para a Presidência da República, ao trazer à tona temas de caráter religioso, homofóbico e até a velha discussão preconceituosa contra comunista, petista e contra a mulher, debate que considero muito grave.
Mas o pior de tudo isso foi baixar o nível do debate sobre a aprovação do Plano Nacional de Direitos Humanos 3, apresentado em 2010 para discussão e aprovação no Congresso. A reação foi absurda, principalmente por parte da Igreja, que não aceita a discussão sobre o aborto, pelos militares que agiram fora da lei no período de chumbo, pelos ruralistas que não aceitam sequer falar da Reforma Agrária, por aqueles que detêm grandes fortunas e não querem ser taxados, fora outros grupos que encontraram motivos para não permitir um pouco mais de justiça para a sociedade brasileira. Estes motivos fizeram a tramitação do projeto parar. Pior: foi ‘colocado’ no debate eleitoral como uma coisa ruim para a sociedade.
Diante de tudo isto, não posso ficar indiferente a esta data. Também não posso me calar. Até porque é isto que aqueles que querem manter este mundo desigual e injusto desejam.
Espero que os organismos que se preocupam com as questões relacionadas aos direitos humanos não deixem que as grandes lutas pelo direito à vida caiam no silêncio. Que se mantenha essa bandeira tremulando com muito mais intensidade, até que possamos vencer todas as barreiras e derrotar o preconceito e a intolerância. Venha de onde vier.
Ex-prefeito Cassio é anunciado para Secretaria Estadual de Planejamento
Do esquerdamarginal.wordpress.com
Depois de abandonar o barco do ex-governador do DF, José Arruda, e de ser condenado pela justiça por improbidade administrativa, o ex-prefeito de Curitiba retorna ao Centro Cívico. Taniguchi foi convidado pelo governador eleito Carlos Alberto Richa para assumir a Secretaria do Planejamento.
Desde 2007, Taniguchi estava licenciado da Câmara dos Deputados para desempenhar o papel de Secretário de Desenvolvimento do DF. Cassio, aconselhado pelo seu partido, o Demo, deixou o governo de José Arruda no final de 2009, depois da prisão do governador e de outras pessoas ligadas ao seu governo. Reportagem da revista Carta Capital, do mês de setembro, revela que Taniguchi era o ‘cérebro’ da conexão paranaense do escândalo no Distrito Federal. Segundo a linha da investigação, a participação de Taniguchi se dava através de Paulo Rocha, presidente de órgão público ligado à Secretaria e acusado de ter desviado cerca de R$50 milhões com a realização de obras sem licitação ou com licitação fraudulenta.
Em maio deste ano, o ex-prefeito foi condenado por crimes de improbidade administrativa cometidos em 1997, quando chefiava o Executivo Municipal. A condenação não passou de um susto. Os crimes já estavam prescritos, e Cassio não foi para o xadrez.
Quando dizíamos que a eleição de Beto Richa necessariamente nos remeteria ao passado, era disso que estávamos falando. Com lama até o pescoço, Taniguchi vai assumir uma importante pasta no governo. Daí para frente, prefiro nem pensar agora.
A Guerra do Rio – A farsa e a geopolítica do crime
Cumprindo com compromisso de publicar notícias que não se encontram na grande mídia, divulgamos texto do professor José Claudio S. Alves, sociólogo da UFRRJ, sobre os acontecimentos no Rio.
Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.
Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.
O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.
De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia. Leia mais
Lula concede entrevista a blogueiros progressistas
Da UOL.com
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma entrevista para blogueiros na manhã desta quarta-feira (24). Lula falou sobre a sua relação com a imprensa nos oito anos de governo e disse que vai usar mais as ferramentas de internet após deixar o cargo. Além disso, tratou de temas como corrupção, reforma política e STF (Supremo Tribunal Federal). Confira trechos.
Na última eleição, a grande mídia prestou um enorme desserviço para a democracia. Episódio que não pode passar despercebido e que precisa despertar alguma mudança. Ficou muito claro que alguns veículos fizeram campanhas escancaradas para determinados candidatos. Até aí tudo bem. O problema é quando o veículo se diz parcial, neutro e, nas entrelinhas, interfere no processo eleitoral com campanhas difamatórias que acabam induzindo o voto.
Os grandes empresários de comunicação do país – donos dos jornalões, das redes de emissoras de rádio e TV – reagem com agressividade a qualquer debate sobre liberdade de imprensa. A liberdade de expressão é prevista na Constituição Federal. É de direito não só da imprensa, mas de todos os brasileiros. Ninguém está falando em censura ou coisa que o valha. Fala-se em responsabilizar a imprensa pelos prejuízos que ela pode causar ao se comportar de maneira irresponsável.
Não podemos esquecer o caso da Escola de Base, onde uma reportagem mal apurada levou uma comunidade inteira de São Paulo a se revoltar contra uma família inocente. Depois de terem seu estabelecimento apedrejado e de sofrerem diversos tipos de ameaças, os donos da Escola provaram sua inocência na justiça.
Depois de cobrir as eleições com clara simpatia ao candidato que representava a oposição ao governo, os empresários da grande imprensa acusam o governo brasileiro de ser a favor da censura e querer transformar o país numa Venezuela. Alegam, ainda, um caráter autoritário do Presidente Lula e do PT.
Vamos ser sinceros. No Brasil, nunca houve tanta liberdade de imprensa como no governo Lula. A alteração da Lei de Imprensa assombra os empresários do setor. Por quê? Será que eles temem perder o monopólio na área de comunicação? Ou o fantasma que assusta essa moçada é não ter mais o direito de difamar um cidadão sem arcar com as consequências.
Quando o assunto é o processo eleitoral, intervenções infelizes da mídia se tornam ainda mais graves. Travestidos de imparciais, determinados veículos são capazes de liderar impunemente campanhas difamatórias contra candidatos. Intervenções extremamente nocivas ao processo democrático.
Esse tipo de intervenção ficou explícita nesta campanha, quando a grande mídia usou de todas as suas forças para derrotar Dilma e o PT. Os profissionais da imprensa, como de qualquer outra área, precisam ser responsabilizados quando faltam com a verdade. É inadmissível que temas como aborto e homossexualismo sejam abordados de maneira solta, única e exclusivamente no sentido de difamar alguém e pior: disseminar o preconceito. É mais do que uma irresponsabilidade, é crime. E quem vai ser responsabilizado por tudo isso?
As forças progressistas do país têm o dever de debater até onde vai a autonomia da imprensa. Para haver liberdade de imprensa, não pode existir monopólio de comunicação. Mas deve, sim, haver revisão da Lei de Imprensa, sob pena de vermos mais um setor que faz o que faz e também termina em pizza!
Morreu, nesta manhã, o dirigente comunista e artista plástico Espedito Rocha, após seis dias de internamento no Centro Médico Nossa Saúde. Espedito estava na luta contra um câncer no pulmão, diagnosticado em meados de 2009. Nos últimos dias, a doença se agravou e provocou o internamento de Espedito. Hoje cedo, 18/11, ele se foi.
Espedito Oliveira da Rocha nasceu em 1º de janeiro de 1921, em Santa Clara, então um Distrito do Município de Buíque, hoje Tupanatinga, em Pernambuco.
Iniciou a militância no Partido Comunista Brasileiro – PCB – em 1938, ainda em Pernambuco, e chegou ao Paraná no início dos anos 50. De começo, na lida da colonização do Norte do Paraná.
Mais tarde, mudou-se para Curitiba. Veio para trabalhar na construção do Centro Cívico e iniciar a atividade sindical, na qual desempenhou brava atuação política. Foi eleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Curitiba.
Com o golpe militar de 64, Espedito teve seus direitos políticos cassados. Perdeu a condição de suplente de vereador na Câmara de Curitiba e o mandato de dirigente sindical. Só não foi preso porque conseguiu fugir e, utilizando-se de nova identidade, permaneceu na clandestinidade militando como dirigente nacional do PCB, na condição de membro do Comitê Central, durante todo o regime militar.
Usando o nome de Tibúrcio Melo, Espedito foi preso no Mato Grosso, onde administrava uma Fazenda do PCB, que era utilizada para fuga de resistentes da ditadura e também para obtenção de recursos para o Partido. Espedito foi levado para o DOI-CODI, em São Paulo, onde permaneceu preso e duramente torturado. Foi levado de volta pela polícia política para o Mato Grosso pesando 38 quilos, já que existia o receio de que pudesse morrer nas dependências do DOI-CODI. No Mato Grosso, com a ajuda de amigos, foi internado e recuperou-se, fugindo em seguida para São Paulo, onde retomou a militância com o nome de Tadeu Melo, que utilizou até ser anistiado em 1979.
Retornou para Curitiba e refundou o PCB, permanecendo seu presidente até meados dos anos 90.
No início dos anos 80, comandou o apoio do PCB ao então candidato ao governo do Estado pelo PMDB, José Richa.
Quando o PCB mudou de nome, para PPS, Espedito Rocha e outros comunistas conhecidos, como Oscar Niemayer e Ivan Pinheiro, fundaram novamente o PCB, ao qual ficou filiado até a morte.
Na fuga para São Paulo, em 1976, Espedito utilizou as horas de esconderijo para retomar o talento antigo de esculpir na madeira. A partir daí, concomitantemente à militância política, Espedito iniciou a carreira de artista plástico, que desempenhou até 15 dias antes do internamento.
Realizou exposições, coletivas e individuais, em diversos locais do Brasil e tem peças no acervo permanente em vários museus do país.
Sobre o artista, Pietro Maria Bardi, já em 1980, descreveu: "Espedito Oliveira da Rocha é um desses homens que desafiam as injunções próprias de quem é ligado ao mundo do trabalho. Na cartilha mais difícil, aprendeu a vida por ela própria. Transformou em poema de aroeira, peroba e cedro tudo o que viu e viveu".
Espedito mantinha o site espeditorocha.com.br
Espedito deixou oito filhos: Rosa Maria da Rocha, Caetano Oliveira da Rocha, Carlos Rogério da Rocha, Airam de Oliveira da Rocha, Luiz Carlos da Rocha, Gabriela Rocha, Mariana Rocha e Manoel Caetano Ferreira Filho, além de netos e bisnetos.
Seu corpo está sendo velado na Assembleia Legislativa do Paraná e será cremado amanhã às 9h.
Especialistas afirmam que a distribuição de renda no país acontecerá de forma cada vez mais rápida
Da Folha.com
Mantida a tendência de crescimento médio da economia no governo Lula, o Brasil cortará à metade o número de pessoas pobres até 2014.
O total cairá de 29,9 milhões para cerca de 14,5 milhões, o equivalente a menos de 8% da população, informa reportagem de Fernando Canzian publicada na Folha do último domingo, 14/11.
Nos anos Lula, até a crise de 2009, o número de pobres (pessoas com renda familiar per capita mensal até R$ 137,00) caiu 43%, de 50 milhões para 29,9 milhões.
Hoje, a velocidade da queda do número de pobres é ainda maior, de cerca de 10% ao ano, segundo cálculos do economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV-Rio.
"Estamos entrando em um processo de redução da desigualdade mais forte do que no período entre 2003 e 2008", afirma Neri.
Outros especialistas ouvidos pela Folha concordam com essas previsões, consideradas realistas ante a tendência dos últimos anos.
Consideram também viável o país manter um ritmo de crescimento até maior do que a média dos últimos anos. A previsão de crescimento para 2010, por exemplo, já varia entre 6,5% e 7,5%.
A diminuição do número de pobres e a ascensão de 32 milhões de brasileiros às classes ABC entre 2003 e 2008 esteve relacionada, principalmente, ao aumento do emprego formal e da renda do trabalho, à política de valorização do salário mínimo e aos programas sociais, como o Bolsa Família.